A Frustração Nossa de Cada Dia



A frustração pode ser entendida como sendo uma sensação de incapacidade diante de contrariedades que surgem diante de nós, impedindo que alcancemos um determinado objetivo, muito desejado ou não. A frustração está diretamente ligada às expectativas que criamos, e quanto maior elas forem, maior poderá ser a sensação de frustração. Uma expectativa frustrada é o combustível para que muitas vezes haja dentro de nós um despertar, uma necessidade por mudanças, nos impulsionando para novas ações e descobertas, mesmo quando não sabemos o que de fato queremos.

Em uma época onde o desejo de ter e a necessidade de consumo crescem cada vez mais, fazendo parte do nosso dia a dia de forma quase que imperceptível, talvez seja fácil entender o porque de cada vez mais encontramos esse sentimento em todos a nossa volta, inclusive entre crianças que mal começaram a vivenciar e discernir o que está acontecendo ao seu redor. Isso faz com que cresçam e fortaleçam esse sentimento, tornando-as seguidoras de uma verdadeira legião de pessoas frustradas e infelizes, e que na maioria das vezes não identificam qual a razão de se sentirem assim.

É importante destacar que a frustração não pode ser encarada como sendo um sentimento unicamente negativo, pois é a través do ato de frustrar-se que que aprendemos que nem tudo que desejamos é possível, e que é necessário esforço e perseverança, e porque não merecimento, para atingirmos um determinado objetivo em nossas vidas. Mas o fato é que a maior parte de nós, e essa é a impressão que tenho, parece não saber lidar com a frustração, e isso vem causando mais malefícios do que benefícios, ocasionando situações como depressão, ansiedade e em casos extremos o suicídio.

Outra questão importante sobre a frustração, diz respeito a uma necessidade que muitos de nós temos de estar no controle de tudo que fazemos, todo o tempo, como se nossas vidas pudessem ser programadas tal qual um programa de computador. Estar no controle de tudo é algo praticamente impossível de acontecer, e mesmo assim muitos de nós preferem permanecer nesse estado ilusório da busca do controle total, como um cachorro que brinca correndo atrás do próprio rabo. É importante entender que existe uma diferença entre estar no controle do que fazemos e estar no controle do que acontece a nossa volta e que não depende de nós.

Para aqueles que chegaram até essa parte desse texto, gostaria de dizer que na minha opinião somos todos frustrados, uns mais, outros menos e infelizmente, outros em um grau extremamente elevado de frustração. Uma questão importante é que a frustração pode também nos paralisar e nos colocar numa espécie de ciclo vicioso de ações repetidas que sempre nos levarão ao mesmo ponto de antes. Como me referi em um outro texto, infelizmente a maioria de nós quer que os acontecimentos de nossas vidas ocorram do dia para a noite, esquecendo que o que vamos colher agora já foi plantado a muito tempo. O importante então não é o destino, mas a jornada e a caminhada para esse local desejado.

Então porque somos tão frustrados com tantas coisas, muitas das quais não precisariam de nossa atenção em excesso? Porque mesmo tendo consciência que precisamos de muito menos do que temos para vivermos e sermos mais felizes, ainda nos frustramos? Quando e em que ponto de nossas vidas o externo ao nosso eu passou a ditar as regras e procedimentos do nosso eu interno? Deixo aqui uma pergunta que fiz a um colega de trabalho e que ele não conseguiu responder de forma satisfatória, bem simples de perguntar, mas complexa de ser respondida: Você sabe de fato o quer para a sua vida?

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