A Bagagem Mental que Nos Molda

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Ao ler um livro intitulado "O Homem à procura de si mesmo" me deparei com uma passagem em um de seus capítulos que achei muito interessante. Ele falava sobre a autoconsciência, uma característica distintiva do ser humano, que nos permite refletir sobre nós mesmos, analisando situações ocorridas no passado numa tentativa de projetar um futuro idealizado. Segundo as palavras do autor, "o homem é um ser histórico, no sentido de que é capaz de sair de si mesmo, contemplar sua história, influenciando o seu desenvolvimento como indivíduo e alterando dessa forma o desenrolar dos acontecimentos".

Todos nós temos o que vou chamar aqui de bagagem mental, que na minha visão seria uma série de acontecimentos que foram sendo acumulados durante nossas diversas fases de vida, e que vão nos moldando, tal qual um artesão faz com um monte de barro antes de esculpir sua obra. Só que nesse caso, nós somos ao mesmo tempo o barro e o artesão, e a bagagem mental junto com a autoconsciência determinam a qualidade da matéria prima que iremos trabalhar e moldar durante toda a nossa vida. Mas como nos moldar com tamanha carga de experiências acumuladas, numa época onde as informações e experiências de vida estão constantemente mudando?

Agora mesmo, enquanto escrevo esse texto, estou mergulhado dentro do meu bagageiro mental. Busco, espelhado pelos acontecimentos da minha vida, e escolho as palavras ideias para  expressar o meu estado espírito, meus novos cenários da vida e os meus limites nesse texto. Tudo isso está lá na bagagem mental que carrego todos os dias.  Não é fácil observar dentro da bagagem vários tipos de situações que não consegui resolver....os erros....as limitações e também reconhecer os acertos e experiências que nos fazem ser o que somos.

Não tenho a pretensão aqui de concluir sobre um determinado assunto. No meu entendimento, o que pretendo com esses textos é simplesmente provocar questionamentos e quem sabe extrair alguma pista para organizar essa confusão interior que vem de vez em quando. A questão aqui é o que fazer com toda essa bagagem que juntamos ao longo desses anos e que se tornou parte do barro que ainda estamos moldando diariamente? Como identificar o que ainda vale a pena levar consigo ou as coisas que precisam ser deixadas para trás. Como se desfazer do que não é mais necessário dentro desse bagageiro mental, tornando nossa caminhada mais leve e prazerosa? Como selecionar o que colocar dentro do bagageiro num mundo cheio de informações em contante mudança? 

Como o próprio nome do livro que me referi no início desse texto diz, somos seres em busca de nós mesmos dentro de um espaço cheio de memórias e experiências, refletindo sobre quem somos e o que fazemos diariamente. É importante lembrar que essa busca não começou agora, ou na adolescência, mas sim, quando ainda éramos crianças e estávamos aprendendo o que era ser um indivíduo, mesmo sem bagagem. Olhando para o meu bagageiro, com esse monte de malas de experiência que carrego, vejo que muito do que acumulei pode ser jogado fora, e que provavelmente ainda irei acumular muito mais, mesmo que desnecessariamente.

Filosofias à parte e utilizando toda a minha autoconsciência que acumulei durante esses anos, percebo que não tenho uma conclusão formada sobre o assunto. Tenho mais perguntas do que respostas para colocar dentro desse bagageiro e que ainda irei mudar bastante no jeito de ser e de agir. Talvez um fato que eu possa adquirir com esse texto é que o importante não é o que colocamos ou o que tiramos do nosso bagageiro mental, mas sim, como utilizamos essa bagagem que acumulamos durante todos os anos de nossas vidas. Que possamos lembrar que o tamanho de nosso bagageiro mental é definido pela nossa disposição e coragem de viver e correr riscos nessa vida.

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